APRENDIZADOS

O Paradigma da Abundância e da Escassez

25 de junho de 2018

Esses dias aprendi sobre o paradigma da escassez e da abundância (no período em que passamos pela greve dos caminhoneiros). Naqueles dias de greve, quando as pessoas perceberam que poderia durar mais do que 2 ou 3 dias, elas começaram a estocar comida em casa. Lembro de mensagens e áudios de avisos que pessoas trocavam no WhatsApp informando que a greve duraria por muito tempo e por isso era preciso se preparar.

Esse “se preparar” tomou uma proporção maior do que o esperado, de repente as pessoas simplesmente começaram a estocar alimentos em casa. Você deve ter visto alguém enchendo o carrinho no supermercado. E a partir disso que a @luizavoll compartilhou sobre o paradigma da abundância e da escassez (que ao final do texto vai nos levar a uma reflexão muito mais ampla do que apenas este exemplo).

Todos que estocaram alimentos só o fizera porque acreditaram que não haveria mantimento o suficiente para todos, já que eles estavam nos caminhões parados nas estradas.  E se não tem para todo mundo, tinham medo que de que faltasse para si e com isso correram fazer seu estoque.

No momento em que fizeram seu estoque, essas pessoas tiraram os produtos de circulação (porque pegaram uma grande quantidade pra si), aumentando o custo da transação (lembram da batata, cenoura e outros itens que estavam com preços absurdos?) e deixaram de fora aqueles que não poderiam pagar (porque tirando de circulação uma grande quantidade de itens faz com que quem os compre tenha que pagar um preço mais alto, já que o mercado não terá como repor).

Resultado: a “profecia” se auto-realiza, ou seja, aquilo que eu acreditava (não tem pra todo mundo) de fato acontece.

Esse é o paradigma da escassez. O contrário também é verdadeiro.

Se devido a greve dos caminhoneiros houvesse a consciência de que alguns mantimentos não chegariam, mas que os itens disponíveis nos mercados, se dividido, seria suficiente para todo mundo, todos levariam apenas a quantidade suficiente para si.

Desta forma, se tem pra todo mundo ao invés de competir para criar estoques, nós colaboramos e aumentando o fluxo, diminuindo o custo da transação e a inclusão daqueles que não podem pagar.

Resultado:  a profecia de que tem pra todo mundo se auto-realiza porque criou-se um ambiente de abundância. Todos saem satisfeitos.

E esse é o paradigma da abundância.

Agora, dando um pulo no tempo, te levo para o dia 19 de junho onde tive uma aula com Sandra Montes que compartilhou seu conhecimento e insights adquiridos na Singularity University. Ela começou o curso falando sobre o poder e as implicações das mudanças que estão acontecendo no mundo. Antigamente elas aconteciam de forma local e linear. E por causa da internet (que hoje eu e você não sabemos viver sem) mudou completamente. Hoje tudo é exponencial e global. E porque tudo está tão acessível e podemos dizer a distância de um “toque”, sabemos o que está acontecendo no mundo todo o tempo inteiro.

Acontece que, de alguma forma, toda a nossa atenção parece enxergar somente aquilo que é negativo. Cada notícia da mídia é uma explosão de coisas ruins. E na verdade, desde que o mundo é mundo sabemos que vamos passar por momentos profundos de tristeza consequência das guerras que ainda existem, catástrofes naturais e/ou causadas pelo homem.

Mas o contrário também é verdadeiro. Muita coisa boa está surgindo, muitas sementes estão sendo plantadas. Projetos nascendo, tecnologias vindo pra transformar a forma como vivemos. Então por que continuamos a ver somente o que tem de triste? Porque é isso que gera audiência nos principais canais de notícia.

 

COMO ISSO IMPACTA MINHA VIDA?

Parece óbvio, mas pouco paramos para pensar sobre isso. Essa reflexão tem a ver com a qualidade dos nossos pensamentos, como tudo isso que consumimos tem moldado nossa forma de pensar e se comportar. 

Quanto mais coisas ruins vemos, quanto mais cavamos por conteúdos negativos, mais disso teremos. E quanto mais buscarmos por aquilo que é bom, mais notícias boas teremos, permitindo que a gente enxergue o mundo que está acontecendo lá fora.

Em que paradigma você tem estado exposto? Quais canais, sites, pessoas no instagram tem seguido? Que tipo de assunto permeiam nesses meios? Você tem pensado só em você ou no próximo também? Você tem excluido ou incluído pessoas? 

Isso também vale para pessoas. Se somos a média das 5 pessoas com quem mais convivemos, você está em boa companhia? O que elas tem compartilhado de bom com você?

ABERTURA PARA PRATICAR A EMPATIA

Já ouviu o versículo “a boca fala do que está cheio o coração”? Nunca concordei tanto!
No meu antigo trabalho tinha uma senhora que cuidava da limpeza da nossa sala. Toda semana era uma enxurrada de mortes, acidentes, problemas, porque era disso que ela vivia cercada. Às vezes era difícil ter uma conversa diferente… Ela sempre encontrava um gancho no assunto pra falar de alguma catástrofe.

Também tenho meus dias onde sinto que só falo sobre um assunto. Quando não percebo, alguém me dá uma indireta e já vejo que é hora de mudar o disco. E se paramos pra pensar só falamos mesmo daquilo que nossa mente está cheia.

Nesse sentido, também me pergunto se existe empatia quando convivo com pessoas que vivem do discurso da escassez. Ainda que aqui eu esteja pontuando a escassez como algo negativo, também preciso te contar que acho fundamental conviver com ela para que não vivamos numa bolha.

No livro “Sobre a Arte de Viver” o autor diz “para descobrir a nós mesmos, temos de sair de nós e descobrir como outras pessoas pensam, vivem e veem o mundo. Para tanto, a empatia é uma de nossas maiores esperanças.”.

No lugar do julgamento “meu Deus, fulano diz isso, só faz aquilo” podemos dar abertura para praticar a empatia, procurando conhecer o universo do outro pra entender porque ele vive assim. Dessa forma criamos conexões e abrimos caminho pra compartilhar da nossa maneira de viver.

Enfim, essas reflexões são muito mais profundas, mas nunca ouvi falar tanto sobre isso neste curto período de tempo (sinal de que deveria compartilhar, rs). E aqui fica meu convite, vamos pensar mais sobre isso e perceber que paradigma tem nos moldado?

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