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LIVRO: A Arte Francesa de Mandar Tudo à Merda

17 de junho de 2018

Venho de uma saga sobre a “a arte…”. Ano passado li A Sutil Arte de Ligar o Foda-se, depois este que é a Arte Francesa de Mandar Tudo à Merda e agora estou #lendoenquantoleiooutroslivros o livro Sobre a Arte de Viver.

E essa é uma busca muito minha, de querer compreender melhor como lido com a vulnerabilidade, com críticas, com o presente, com os meu questionamentos, com o desafio de ser independente do ambiente. E a forma mais gostosa que encontrei de pensar melhor sobre isso foi com os livros.

Me interesso muito pela ideia de construir ou transformar a nossa personalidade, de como saímos do pensamento para atitudes conscientes de forma que seja verdadeiro e faça sentido. Sabe quando você tem consciência de algo, mas ainda não consegue praticar aquilo? É tempo que se gasta treinando pensamento, fazendo ensaios pra só depois de um tempo virar atitude. É um baita esforço e exige muito de cada um.

E o livro que vou compartilhar, neste primeiro post Você Já Leu Hoje?, foi um dos que me fez refletir muito sobre estas questões… E engraçado que o próprio sumário do livro parece um manifesto. Poderíamos ficar só com isso:

Pare de meditar, não faça nada
Pare de obedecer, você é inteligente
Pare de ser sábio, seja entusiasta
Pare de ser calmo, fique que em paz
Pare de se reprimir, deseje
Pare de ser passivo, saiba esperar
Pare de ser consciente, seja presente
Pare de querer ser perfeito, aceite as adversidades
Pare de tentar entender tudo, descubra o poder da ignorância
Pare de racionalizar, relaxe
Pare de se comparar com os outros, seja você mesmo
Pare de sentir vergonha, seja vulnerável
Pare de se torturar, seja seu melhor amigo
Pare de querer amar, seja benevolente
Pare de querer controlar seus filhos, meditação não é ritalina

Quando comprei A Arte Francesa de Mandar Tudo À Merda, não sabia direito como o autor abordaria o assunto. Na verdade, nunca tinha ouvido falar sobre Fabrice Midal. Mas a indicação veio de alguém da internet que gosto muito e por isso esperei an-si-o-sa-men-te pelo lançamento.

A base do livro é a meditação, exercício que sempre tive um pé atrás por ser cristã e ter pensamentos divergentes sobre a prática budista. Mas preciso dizer que a forma como ele fala sobre ela é leve e diferente de tudo que já vi.

O maior ensinamento que tirei foi de aprender a deixar-me em paz. E por mais óbvio que isso seja, é uma das coisas mais difíceis de ser feita. Lembra quando os livros de colorir viraram febre? Na capa vem escrito “antiestresse”… Todo mundo comprou e depois me recordo de ouvir várias amigas dizendo “ficar pintando esses desenhos me deixa ainda mais estressada”. Quanto mais esforço era feito para se desestressar com o livro, mais impaciente ficavam. E é sobre isso que o autor começa a falar no livro, quanto mais tentamos, mais nos torturamos por não conseguir, mais irritados ficamos por não ser a pessoa que conseguiu atingir aquele resultado.

Nos tornamos prisioneiros e deixamos de entender o por que estamos realmente fazendo aquilo “obedecer sem discutir, de entender por quê, até mesmo de estar de acordo, acaba por nos sufocar, nos apagar, impede a inteligência que carregamos em nós de eclodir”.

Ou seja, Fabrice começou me sacudindo, como se quisesse me dizer “pare de tentar, seja”.

SINTA-SE PRESENTE

Já compartilhei outras vezes que quando eu estava no ensino médio, não via a hora de “crescer”, sair dali para finalmente ter uma rotina de vida adulta. Eu estava tão preocupada com o amanhã que não via… Ou melhor, não sentia os dias passarem, não me sentia presente e por isso tenho pouquíssimas lembranças daquela época, do que estudei naqueles 3 anos.

Tão estranho! Ainda tenho momentos assim, enquanto converso com alguém mil pensamentos rodeiam minha mente: “será que ele/ela está entendendo minha história? será que a conversa está gostosa? será que meu tom de voz está bom, será será será….” e assim o tempo se esvai. Depois que repasso aquele momento percebo que me lembro de poucas coisas que conversamos: meu corpo estava lá, mas eu não estava 100% presente.

Me acostumei tanto com ‘pensar em outras coisas enquanto converso’ que agora meu esforço está em aprender a me sentir presente, a não me incomodar com o que o outro está pensando daquele momento, porque o pensamento do outro é a única coisa que jamais poderei controlar. Mas o que acontece dentro de mim, isso sim eu posso aprender a controlar.

Senta-se presente “com a inteireza de seu ser, seu corpo, seu coração, suas emoções, bem como seu espírito, permanecendo assim ligado ao mundo”.

NÃO SINTA VERGONHA DOS SEUS SENTIMENTOS

Sabe aqueles ambientes em que você sente uma leve obrigação de estar bem o tempo todo? Sentir cansaço, raiva, insatisfação parece errado, como se você não tivesse o direito de estar assim e aí acaba por ficar ainda pior, com a sensação de ter estragado o clima / dia de alguém.

Fabrice diz que a raiva é “uma energia profunda para nos superarmos. Aquilo que deveríamos ter vergonha, em contrapartida, é a nossa maneira de ponderá-la, já que não a compreendemos. No fundo, é igualmente a minha raiva que me dá forças para ensinar, escrever, estar a serviço de alguma coisa maior do que eu (…) deixe-se em paz e liberte o entusiasmo que há em você sem jamais sentir vergonha disso: ele é a prova de que você está vivo.”

E preciso confessar que muitas vezes é no momento de raiva em que mais me senti ativa e entendi que isso acontece por eu precisar direcionar aquela energia para algum lugar. É difícil ver esses momentos como algo positivo, mas eles fazem parte desse exercício de deixar-se em paz, de aprender a conviver com isso sem me torturar menosprezando esse sentimento.

O primeiro livro que citei aqui, do autor Mark Manson chama de “The feedback loop from hell” esse pensamento vicioso “você fica ansioso por confrontar uma pessoa. Essa ansiedade te bloqueia e aí você começa a pensar no porquê está ansioso, o que te deixa ainda mais ansioso” e aí ficamos mal por nos sentir mal.

Consegue entender? Não deveríamos nos sentir mal por ter momentos assim, no livro ele diz “diga pra você mesmo ‘me sinto horrível por isso, mas quem se importa?’”, ou como diria Fabrice, seja livre para sentir-se horrível e deixe-se em paz.

O desejo por experiências positivas é em si uma experiência negativa. E paradoxalmente, aceitar as experiências negativas é em si uma experiência positiva. – Mark Manson (tradução livre).

SER ATIVO NÃO É FAZER QUALQUER COISA

Deixar-se em paz também é estar tranquilo quando nada acontece. É passar por momentos na vida sem ter novidades pra compartilhar e sentir que está tudo bem.

Fabrice diz que saber ser uma pessoa passiva é diferente de ser uma pessoa que sabe esperar. E que o contrário, ser ativo, não é ser aquela pessoa que faz qualquer coisa.

Vejo muito isso no Instagram, a rede social que mais gosto mas que na maioria das vezes ela nos dá essa sensação de que tudo está acontecendo. Pessoas estão super ativas viajando, passeando, quando na realidade todas aquelas fotos pode ser apenas um pequeno recorte de uma viagem que já aconteceu.  

Essa agitação nos engana e aí acabamos por nos acelerar a fazer algo só para termos algo que compartilhar também.

“Ser ativo não é fazer qualquer coisa. Não é correr de um lado para o outro para dar (e dar-se) a impressão de estar fazendo algo, mas construir em profundidade, na rocha e não na areia, compreender, encontrar uma solução nova para uma situação aparentemente sem saída. Eu costumo ser passivo quando estou fazendo qualquer coisa. Sou realmente ativo quando ouso parar tudo, esperar, confiar.”.

PARE DE QUERER SER PERFEITO

Ai, esse tira até o sono! E na verdade tem relação com tudo. Querendo ser uma pessoa perfeita, preciso ser ativa (já que o mundo o diz), não posso demonstrar fraqueza (tenho que saber controlar todos os meus sentimentos) e toda essa cobrança me faz pensar e pensar e pensar demais em todos os meus atos… Que fico com dor de cabeça, que deixo de dormir pensando em tudo o que fiz durante o dia, em como falei com as pessoas… Enfim. Não dá, gente! Ser perfeita(o) exige um esforço sobrenatural de qualquer ser humano.

“Queremos ser perfeitos para passar uma imagem neutra de nós mesmos, que não seja manchada pela irrupção das emoções, em especial as dolorosas. Temos vergonha de confessar, até para nós mesmos, que sentimos vontade, raiva, decepção. E, quando sentimos, julgamos não poder mais ser felizes ‘de verdade’.

Querendo ser perfeitos, nos proibimos de reconhecer nossos sucessos, julgamos que tudo que fazemos não é o bastante e nos desvalorizamos permanentemente, comparando-nos aos outros.”

Muitas outras reflexões surgiram durante o livro, e o que mais gosto é de saber que ele vai falar de formas diferentes com cada um. Essa palinha foi pra deixar com vontade mesmo e te contar que não tem nada a ver com ~mandar alguém a merda~ e sim todos esses sentimentos e pensamentos que estão nos bloqueando de sermos nós mesmos.

Queria poder colar aqui todas as páginas do livro. A busca por esse autoconhecimento é puramente para entender porque sentimos o que sentimos e como nós aceitar assim, do jeitinho que somos.

Para comprar o livro use este link aqui, assim você me ajuda a continuar crescendo com a criação dos conteúdos aqui no blog.

Obrigada por ter lido até aqui, espero que goste da indicação! Um beijo!

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Photo by Radu Marcusu on Unsplash

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